FORMAÇÃO - Liturgia e Arte Sacra
O CAMINHO SEMPRE NOVO DA ARTE


A arte sempre é uma porta aberta, um convite para o espectador penetrar em um universo cheio de surpresas. O assombro e a admiração provocados pela arte despertam o espírito humano para realidades transcendentes - uma nostalgia daquilo que não se vê.

Em se tratando de arte sacra, inspirada na contemplação de Cristo, essa experiência torna-se uma fonte que alimenta diretamente o espírito, sendo instrumento de evangelização e catequese. O então cardeal Ratzinger, na introdução ao Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, ponderou: "Também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos ofereceram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, apresentando-os no esplendor da cor e na perfeição da beleza. Isso é um indício de como hoje, mais que nunca, na civilização da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra, uma vez que é muito eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica".

De fato, não há como permanecer o mesmo depois da contemplação de uma obra que nos remete ao sagrado. A experiência atinge lugares do nosso coração onde jamais seriam alcançados pela razão. É um caminho privilegiado de uma autêntica experiência de fé.

Vivemos, entretanto, numa época de contradições. O divórcio entre a arte e o sagrado apontado por Paulo VI na década de 60, mas que tem suas raízes no pensamento iluminista do século XVIII, trouxe consequências também dentro da igreja: iconografias inadequadas, desconhecimento da composição dos espaços litúrgicos, decorações vazias de sentido, educação artística sem ligação com a vida (ou simplesmente ausência de educação para a arte!).

João Paulo II, em sua Carta aos Artistas, propôs um novo diálogo entre fé e cultura, entre Igreja e Arte, o que resultaria em novas epifanias da beleza. Felizmente, as sementes lançadas começam a despontar em solos férteis. Aqui e ali vemos iniciativas que resgatam a função da arte sacra como mistagoga, "escadas de Jacó" que elevam e fortalecem o espírito para o anúncio do Reino de Deus aqui e agora.



Nota: Admirável a proposta da Assembléia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura, a qual aponta o caminho da beleza como meio de evangelização, com propostas pastorais concretas. Vale a pena ler: Via Pulchritudinis - O Caminho da Beleza. Assembléia Plenária dos Bispos, 2006. Edições Loyola.



Fernanda Oliveira da Costa é leiga consagrada na Comunidade Senhor da Vida. Publicitária, pós-graduada em Liturgia e Arte sacra.

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